Nunca me encontro e nem sequer teimo mais em procurar-me porque sei que no fim, quando se chega lá, não há mais para caminhar. Vou continuando a tecer pequenos nós, conexões temporárias, às vezes externas dentro das memórias de cada um.
Páro, convido-as a entrar numa das carruagens dos sonhos onde me movimento e sempre com a porta aberta, permito que saiam sem despedidas.
Cada alma deixa o seu cheiro no dia em que passa a memória, e as mais profundas perfumam os passos que deram por cá.

Abraço todas, infindáveis dentro dos lugares que re-escrevo todos os dias, e respiro o cheiro de cada uma.
Fizeram-me assim, cheia de defeitos e vontades, repleta de desejos que concretizo em cada passo que dou. Ilusão, desilusão, e no meio termo faço-me destemida, humana e mulher.
No espaço gigante e frágil das minhas memórias cabem todas as emoções e todas as ilusões. Cabes tu e o que caminhámos juntos, os momentos felizes e todas as vezes que esperei que me deixasses iludir. Cabem as desilusões, em cada ciclo fechado de sonho e amanhecer. Cabe o nosso lugar e o ponto de onde partimos, e caberão todos os sítios onde seremos capazes de chegar.
*Mó
08.09.10
image: Gustav Klimt, "Tree"



